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Dia das Mães: A Homenagem Que Os Boletos Não Esquecem

 — “Ah, Dia das Mães, que data gloriosa em que a gente lembra daquela criatura mítica que te pariu: a própria Mãe Terra em forma de mulher, mas só se ela tiver dinheiro sobrando, né? Afinal, não tem nada mais emocionante do que acordar às 5 da manhã pra ralar em dois ônibus lotados, levar marmita fria ao patrão e ainda ouvir ‘Feliz Dia das Mães!’ num grupo de WhatsApp onde ninguém se importa de verdade. É como ganhar um troféu olímpico depois de atravessar uma maratona… só que sem o prêmio em dinheiro.”

— “É bonito demais ver as vitrines abraçando a data com ursinhos caríssimos, kits de esmalte que custam mais do que a cesta básica e cartões que vêm com declarações escritas por algum publicitário milionário. Enquanto isso, na casa da mãe com quatro filhos, a palavra ‘tranquilidade’ foi riscada do dicionário há tempos — junto com a esperança de um pai presente. Mas, ó, se bater vontade de ganhar aquele almoço no restaurante caro, é só fingir que esqueceu de avisar que o ‘papai’ não vai aparecer, de novo.”



— “E nada diz mais ‘te amo, mamãe’ do que a criançada empilhada ao seu redor gritando por atenção, porque a herança do papai nunca foi vista nem pela neta do carteiro. Sem verba pra flores, bombons ou buquês de orquídea — isso é privilégio de quem mora em condomínio fechado — a mãe pobre recebe o melhor presente: a promessa de que ‘no ano que vem vai ser diferente’. Spoiler: não vai. Mas tudo bem, né? É sempre assim: esperança é o único item que ainda cabe no orçamento apertado.”

— “Mas, ei, quem precisa de pai quando se tem a habilidade de equilibrar juros de cartão, trabalho doméstico, escola, plantão noturno e ainda deixar a sobrancelha em dia? Se super-heroína existisse, ela se chamaria Dona Maria ou Dona Ana, mãe solo, guerreira de fé inabalável — e com plaquinha na testa escrito ‘venda de rifas pra pagar gás e luz’. Então, neste Dia das Mães, vamos brindar com suco de caixa: à mãe que não desiste, mesmo quando o mundo insiste em passar a mão na cabeça, mas nunca paga as contas.”

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