O Brasil é palco constante de escândalos de corrupção que estouram com força, ganham as manchetes, geram indignação... e morrem lentamente nos bastidores do poder. Por aqui, investigações históricas terminam em absolvições, prescrições ou simplesmente são engavetadas. A impressão que fica é uma só: no Brasil, ser corrupto não é apenas comum — é vantajoso.
O Escândalo dos Anões do Orçamento, nos anos 90, revelou deputados desviando verbas por meio de emendas parlamentares. Houve CPI, exposição pública, mas poucos foram punidos. O caso Sivam, com suspeitas de propina em contratos bilionários de vigilância aérea da Amazônia, terminou sem nenhuma consequência real. Já o Mensalão Tucano, protagonizado por Eduardo Azeredo, levou anos para chegar a uma condenação, que foi anulada por prescrição — um fim previsível.
O Caso Banestado, com mais de R$ 30 bilhões desviados para o exterior, é talvez o maior escândalo financeiro da história brasileira. E mesmo assim, passou batido. Os leilões de privatização durante o governo FHC também foram cercados de suspeitas, mas não houve investigação séria. Nada mudou. Depois veio a Operação Lava Jato, que começou com força, prendeu figurões, abalou estruturas, mas acabou implodida por erros judiciais, disputas de poder e articulações políticas. Muitos dos condenados voltaram para os cargos públicos, fortalecidos.
A verdade escancarada é que o sistema protege seus próprios membros. A Justiça anda a passos lentos para os ricos e poderosos. A punição plena raramente chega. Quando chega, é tarde demais — ou já foi anulada por algum recurso técnico. E no fim das contas, a corrupção segue viva, adaptada, sorridente.
Enquanto isso, o povo assiste tudo dividido. Nas ruas e nas redes, brasileiros discutem apaixonadamente sobre "direita" e "esquerda", como se o problema fosse ideológico. Enquanto um xinga o outro de comunista ou fascista, os verdadeiros donos do jogo — políticos de todos os espectros — continuam fazendo alianças, desviando verbas, trocando favores e vencendo. Porque no Brasil, enquanto o povo briga entre si, quem rouba comemora no camarote.

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