Ah, que maravilha! Depois de apenas meio milênio, o Brasil finalmente decidiu que talvez, quem sabe, possivelmente, seja uma boa ideia investir em ferrovias. Mas calma, não é como se nós, um país continental com um setor logístico amarrado em rodovias esburacadas e caminhões velhos, tivéssemos pensado nisso antes. Não, senhor. Precisamos esperar 500 anos e a boa vontade da China para que alguém finalmente diga: “E se a gente colocasse... trilhos?” Revolucionário!
Claro, nada mais justo do que convidar uma potência estrangeira para fazer o básico que abandonamos desde Dom Pedro II. Afinal, por que investir em malha ferroviária nos anos 1900, quando podíamos focar em carroças modernas movidas a diesel? Os Estados Unidos fizeram o país deles crescer com trens cruzando o território. A gente preferiu confiar no bom e velho caminhão atolado no barro. Nacionalismo? Só quando é pra defender o arroz com feijão. Quando é pra construir ferrovia, chama a China.
O mais irônico é que a matéria pinta isso como uma “ajuda”, como se estivéssemos numa relação de compaixão e não numa completa dependência de investimento estrangeiro. Imagina só: o Brasil, país de dimensões continentais, pedindo arrego logístico porque ficou 500 anos com medo de trilho. O século XXI chegou e o Brasil ainda age como se locomover por trem fosse coisa de filme de faroeste. Só faltava agora criar uma estatal chamada "Trembrás" e colocar o Ratinho na presidência.
Mas veja pelo lado bom: se a gente continuar nesse ritmo, quem sabe até 2525 a Índia não nos empresta uns satélites pra resolver a internet nas escolas. E até lá, seguimos firmes com nosso transporte de carga rodoviário, nossas estradas esfarelando, nossos combustíveis subindo, e o sonho eterno de um país que adora perder o trem da história — literalmente.

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